Projeto GAP

Curiosidades - Informações

O estresse dos zoológicos: fatos e fotos que comprovam

Pedrinho em família
 
Pedrinho em família
SANTUÁRIO DE SOROCABA

Que um bebê é importante para o bem-estar de um grupo de chimpanzés nós já sabemos. O que vemos com a presença de Pedrinho em seu grupo é o quanto modificou a rotina do mesmo. Apesar de já ser uma família bastante ativa pela presença de Luiza (de 6 anos), o membro mais novo tornou essa família ainda mais alegre. Hoje, já bastante independente dos cuidados de sua mãe Ditty, Pedrinho passa grande parte do tempo se divertindo com sua irmã (Luiza), seu pai (Gilberto) e sua tia (Margarete).

Pedrinho é saudável, animado e aos poucos vai aprendendo a ser um chimpanzé. É o retrato do ambiente salutar de um Santuário, ao contrário do ambiente proporcionado pelos zoológicos, onde quase sempre vemos chimpanzés totalmente descaracterizados de sua biologia natural. Não é raro vermos seres apáticos, com o olhar triste, quando não demonstram sua irritabilidade através de arremessos de objetos e até mesmo com auto-mutilação.

A comparação dessas fotos abaixo resume a grande diferença entre um local que se preserva os chimpanzés daquele que explora os mesmos. A falta de pêlos no bebê e nos outros chimpanzés de um grupo de chimpanzés de um dos principais zoológicos do Brasil é um dos claros sinais de estresse do grupo, o que não se vê na família do Santuário. A culpa nem é a presença ou ausência de enriquecimento ambiental, muito menos uma “característica da espécie ao nascer ou envelhecer” como muitos costumam querer argumentar, mas o simples fato de estarem expostos ao público, sem opções de privacidade e espaço adequados, em condições absurdas de sobrevivência.

Assim como contra fatos não há argumentos, podemos dizer que contra essas fotos, também não há. A pergunta que fica é: até quando a sociedade e os responsáveis aceitarão esse absurdo de expor os grandes primatas como se fossem meros objetosω

MSc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo